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Como já mencionei em mais de uma ocasião, boa parte dos personagens mais famosos e queridos da editora Bruguera pertenciam a um contexto muito específico, e não particularmente feliz. Quero dizer aquele do Pós-guerra espanhol, um período extenso cujas consequências foram prolongadas pela eclosão da Segunda Guerra Mundial e pelos duros e longos anos de isolamento internacional que se seguiram à derrota das potências fascistas. Foram momentos de repressão, censura e doutrinação a nível político e de privações, fome e miséria a nível quotidiano e de subsistência. Entre todos eles, há um personagem que, acima dos demais, se destaca como o principal ícone desta época, aquele com quem o grau de empatia do público atingiu níveis tão elevados que ultrapassou as margens deste período e adquiriu um caráter atemporal, deixando uma marca clara na cultura popular. Estou falando, é claro, sobre Carpanta, o faminto andarilho de meia-idade do grande Josep Escobar i Saliente, mais conhecido simplesmente como Escobar.
As origens do personagem
Idealizado inicialmente com o nome Manduca (comida), que não se concretizou no resultado final, finalmente conhecido como Carpanta (“fome violenta”, segundo a RAE) Ele fez jus ao seu nome desde sua estreia. Naquela primeira história em quadrinhos, intitulada 13 na mesa, desde os primeiros números da revista Polegarzinha em sua nova etapa iniciada em 1947, vimos o nascimento de um homenzinho vestido com roupas gastas de mendigo e chapéu de palha de abas largas, barbudo e um tanto desdentado. Embora fisicamente pouco se parecesse com a aparência que acabaria adquirindo, o principal traço de sua personalidade já estava perfeitamente estabelecido, que não é outro senão a fome excessiva. Nesta aventura, o mordomo de uma baronesa preocupado com o comparecimento de treze comensais, o número do azar, permite a entrada em Carpanta, fazendo-se passar por Marquês Aspirinof da Bulgária, em troca de prometa a ele um bom jantar. Os modos rudes do protagonista causariam espanto nesta comitiva aristocrática.
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-primera-aparicion.jpg)
No entanto, esse personagem (que alguns referem a outros como o vagabundo americano Pete, o Vagabundo (1932), criada pelo americano Russell em plena Grande Depressão) poderia ser considerada uma espécie de “experiência piloto”, uma vez que o título da série ainda não aparecia no cabeçalho e faltava-lhe a roupagem distintiva. Portanto, A primeira história em quadrinhos da série em si é Carpanta e o ingresso, publicado quatro edições depois. Nele ele já vestia parte de sua estética definitiva, como um chapéu simples, mas não desgastado, uma camiseta listrada, jaqueta e sua clássica gola alta e rígida qual gola.
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-primera-aparicion-oficial.jpg)
À medida que os quadrinhos avançavam, o personagem de Escobar rapidamente adquiriu sua aparência característica. As primeiras mudanças a serem notadas foram em suas roupas, adotando seu terno preto definitivo (e chapéu) com gravata borboleta. Mais tarde, isso ficou visível em seu nariz. De ter um nariz achatado e arrebitado, passa a ter um nariz mais proeminente. no estilo de Bruguera. O que sempre preservará desde as suas origens será o barba, bem como sua falta de dentes, cujo número será ainda reduzido (um ou dois dependendo da idade do quadrinho, correspondendo este último ao mais recente).
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-1947.jpg)
A fome aguça a engenhosidade
Carpanta é um “profissional faminto”, ou um “formado mais rápido”, entre outras distinções atribuídas por ele mesmo. Como come no máximo uma azeitona a cada três meses, o coitado sempre tem fome canina. Sua única preocupação é a busca por alimento (“mexendo o bigode”, como costuma dizer) para saciar seu apetite voraz. Para isso, recorrerá a todos os métodos à sua disposição, como oferecer algum tipo de serviço em troca de um pouco de comida, aproveitar ofertas, promoções e concursos, criar galinhas para comê-las quando atingirem a idade adulta, ou diretamente através de roubo ou fraude através de truques engenhosos, exibindo as mais genuínas travessuras espanholas, caso em que será alvo da ira dos lojistas, que geralmente também são bastante espertos.
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-treta.jpg)
Um de seus métodos mais comuns é comer em um restaurante sem pagar em troca de lavar a louça depois (este procedimento é tão normalizado que ele até propôs lavar a louça antes de comer para melhorar a digestão). Tudo isso será em vão, pois por mais que você tente, sempre ocorrerá algum contratempo que o impedirá de comer. Nada no mundo escapará ao seu destino, porque ele não poderá comer nada, mesmo que algum bom samaritano o convide para comer. Mesmo que em raras ocasiões você tenha sucesso, alguma calamidade tornará sua digestão não muito agradável.
O mundo de Carpanta
O melhor amigo de Carpanta se chama Protásio, um indivíduo de meia-idade, bastante gordo, com boina e bigode. Embora também esteja atolado numa acentuada precariedade económica, los negocios de este personaje son más fructíferos que los de su camarada, por lo que dentro del nivel de pobreza en el que se desenvuelven, come con más asiduidad y muestra un mínimo desahogo que parece opulencia a ojos de Carpanta. Por ejemplo, una chabola con huerto y jardín, por muy minúscula que sea, le parece una mansión al lado de la improvisada vivienda bajo un puente del Llobregat en la que vive, pese a que se las haya apañado bastante bien para amueblarlo y acondicionarlo, puesto que posee cama, algunos electrodomésticos y puerta o cortina según la historieta. Ambos pueden colaborar en algún negocio que les permita «mover el bogite», del cual nuestro hambriento personaje saldrá mal parado. Otras veces son competidores directos y se boicotearán mutuamente. En alguna historieta veremos a Protasio compadeciéndose por la suerte de Carpanta, pero finalmente prevalece su tacañería disfrazada de favor hacia su amigo. Sin duda es una amistad un tanto peculiar.
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-Protasio.jpg)
El hambre de Carpanta depende de su desafortunado sino. Pero, ¿quién controla el destino? Esta pregunta, de profundo contenido filosófico, tiene fácil explicación en sus historietas. No es otro que Escobar, por lo que es natural que el personaje se rebele contra su autor. Escobar se convierte así en un personaje más de su obra, que hace acto de presencia de tanto en tanto. Sus creaciones le conocen como “papá Escobar” (Carpanta le puede llamar también “padrastro” o “padrino” de forma despectiva), y como si de un padre se tratara, en algunos momentos acude a él para suplicarle que le deje “mover el bigote”, pero éste se mostrará en todo momento inmisericorde con la suerte de su desdichada creación, con frases tan lapidarias como “lo siento, Carpanta, pero tu destino es no comer”. Podríamos decir que el propio autor no sale muy bien parado en la imagen que proyecta de él mismo, porque en última instancia es el “malo de la película”, causante de todas sus desgracias.
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-Escobar.jpg)
Un último personaje a destacar es Valeria, una chica morena y atractiva que conoció cuando se vio forzado a mudarse al puente de la autopista, en la historieta Y llegó el amor. Se enamora perdidamente de ella nada más verla, hasta tal punto que incluso el mismísimo hambriento por antonomasia perdió el apetito, desperdiciando así la oportunidad de comer un pollo que ésta le había entregado. La relación parecía ir bien, e incluso se fueron a vivir juntos a una minúscula barraca que construyeron con los restos de un avión. Pero el enamoramiento de Carpanta duró poco. La comida volvió a ser su máxima prioridad, hasta el punto de ignorar a la pobre Valeria. A pesar de los denodados intentos de ésta por agradar a Carpanta para se le declare, sólo conseguirá el efecto contrario.
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-Valeria.jpg)
Conclusão e recomendações
Carpanta se ha erigido por méritos propios como el gran icono de la posguerra española. En sus páginas aún retumba el eco de aquella España del hambre, del estraperlo y las cartillas de racionamiento. Su hambre perpetua fruto de sus infortunios en la búsqueda de sustento y su carácter entrañable propiciaron la conexión casi instantánea con el público de la época, y su longevidad (su serie llegó hasta 1984 en la revista Mortadelo, y todavía le llegaríamos a ver en una historieta de Zipi y Zape de 1991) dejó una huella duradera en varias generaciones de lectores. A pesar de que, al igual que ocurrió con Sra., los rigores de la censura atemperaron algunos de sus rasgos, su esencia se mantuvo, y aún hoy se recuerda la famosa expresión “tener más hambre que Carpanta”.
Existen varios ejemplares recopilatorios publicados a finales de los 40 y principios de los 50 en las colecciones Magos del Lápiz e Magos de la Risa . Del primero, existe uno de número y fecha sin determinar y otros dos correspondientes a los números 28 y 36. Del segundo, aparece en los volúmenes 2, 9, 21, 28, 34 y 40.
Desde entonces, no hubo más publicaciones por el estilo hasta los ejemplares de la colección Olé ¡Siempre a punto de comer! (#30, 1981) e ¡Quién pudiera comer! (#305, 1985), y ya con el relevo de Ediciones B, en el especial Magos del Humor 50 aniversario de Carpanta (#61, 1995).
Además, debido la notable fama de la serie, se encuentra entre los pocos personajes que dieron su nombre a una revista. Se trata de “Super Carpanta”, una publicación compuesta de 56 números que existió durante casi cinco años, de 1977 a 1981.
Por otra parte, existen varios Super Humor, compartiendo espacio con los personajes de Escobar Zipi y Zape, pero sobre todo con los de Ibáñez, como Mortadelo y Filemón, el Botones Sacarino y Rompetechos.
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-Magos-del-Lapiz.jpg)
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-Ole-30.jpg)
Pero como suele suceder con la mayoría de los clásicos del cómic en este país, hoy en día ha sido condenado al olvido casi absoluto. No hay casi nada exclusivo de Carpanta en lo que llevamos de siglo XXI. Como ya comenté cuando hablé de Abrace o Troglodita, los únicos recopilatorio existentes son los del coleccionable Clásicos del Humor editado por RBA en 2008 y reeditado en 2009, correspondientes a los números 8 y 19, y que ya no se encuentra en ningún catálogo. Lo único que quizás (recalco lo que quizás) se pueda encontrar en las librerías es Lo mejor de Escobar (Super Humor Clásicos #5, 2008), un homenaje al autor en el que además de Carpanta, encontraremos aventuras de otros personajes del autor como Zipi y Zape y Petra entre otros. No es un recopilatorio exclusivo, y no hace honor en absoluto a la transcendencia del personaje, pero algo es algo. Todavía sigue pendiente uno o varios tomos que reúnan las mejores historietas de todas las etapas por las que pasó la serie. Esperemos que llegue algún día.
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Carpanta-Clasicos-del-Humor.jpg)
![[Encontro…] Carpanta](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2015/03/Lo-mejor-de-Escobar.jpg)

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