[Artigo] Adeus, Christopher Lee

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Tempo de leitura: 8 minutos

A morte do ator inglês Christopher Lee, que completou recentemente 93 anos, foi recentemente tornada pública. Na ComboGamer queríamos fazer algum tipo de homenagem ou artigo dedicado à sua memória, mas temo que as seguintes linhas sejam tudo o que podemos oferecer a esse respeito, já que uma vida inteira dedicada à atuação não pode ser resumida em um monte de linhas.

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Alguns dos personagens interpretados por Christopher Lee

Um dos momentos mais difíceis para um ator deve ser quando ele tem que interpretar um personagem que todos se identificam com uma interpretação anterior a tal ponto que o rosto, a voz e o estilo daquele personagem e do ator que o imortalizou se fundem em um só. Algo como ter que desempenhar o papel que Arnold Schwarzenegger desempenhou Exterminador do Futuro sabendo que tudo o que você disser e fizer o que fizer, você sempre será comparado a ele, simplesmente pela importância, impacto e popularidade que aquele personagem teve em sua interpretação.

Christopher Lee teve seu grande sucesso nessa mesma situação, quando em 1958 vestiu a capa de Drácula, papel que Bela Lugosi imortalizou na década de 1930. Lugosi conseguiu fazer com que sua imagem, voz e gestos se tornassem os de Drácula, a tal ponto que se você pedir a alguém que imite o Drácula para você, há uma boa chance de que a interpretação tente imitar a de Lugosi, mesmo que essa pessoa não tenha visto o filme!

Lee era um renomado fã de filmes de terror e do próprio Lugosi e sabia que não poderia lutar no campo do ator húngaro, então decidiu interpretar um Drácula diferente, mais autoritário, temível e violento, para o qual contou com a ajuda da sua altura (1,96 metros). Este Drácula agressivo com presas pingando sangue vermelho aterrorizou toda uma geração que considerava Christopher o verdadeiro Drácula, já que sua atuação fez Lugosi parecer um encantador de cobras aos olhos dos novos telespectadores.

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Presas e olhos vermelhos, o Drácula de Lee não deixou ninguém indiferente

Nessa situação, pode-se pensar que o ator ficaria orgulhoso de sua atuação e da boa recepção que teve por parte do público, e que em um exercício de arrogância jogaria no chão o clássico Drácula de Lugosi, porém na maioria das interpretações de Lee sobre O Senhor dos Vampiros, ele usava um anel estranho que era uma cópia do anel que Bela Lugosi usava em Drácula (1931), um detalhe de respeito ao seu antecessor, que foi enterrado vestido de Drácula 2 anos antes de Lee filmar Terror do Drácula (1958).

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Este papel não foi o primeiro que Christopher Lee interpretou, já que ele atuava em peças desde a juventude e já havia participado de vários filmes antes de vestir a capa de vampiro, embora em alguns deles simplesmente tenha desempenhado apenas pequenos papéis extras, como aconteceu em Aldeia (1948) onde conheceu Peter Cushing com quem desenvolveria uma grande amizade atrás das câmeras e uma rivalidade incrível na frente delas, já que os dois atores desempenhavam papéis opostos no mesmo filme.

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Peter Cushing e Christopher Lee em Expresso de Terror (1972)

Esta posição de rivais começou em Maldição de Frankenstein (1957) dirigido por Terrence Fisher, que muitas vezes confiou na dupla Cushing-Lee depois de ver o resultado do referido filme em que o Dr. Frankenstein (Peter Cushing) estava em uma cela, condenado à morte pelos crimes que sua criatura (Christopher Lee) havia cometido.

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O monstro de Frankenstein

Embora, na minha opinião, o monstro Frankenstein de Lee estivesse a anos-luz de distância daquele interpretado por Karloff em Frankenstein (1931)Esse papel abriu as portas para a Hammer Productions, onde Lee teve seu lar artístico durante anos., interpretando um grande número de vilões.

Embora não haja dúvida de que os vilões possuem um carisma que dificilmente pode ser igualado pelo protagonista do filmeLee se viu rotulado nesse papel, que desempenhou durante praticamente toda a sua carreira., apesar de participar de filmes de todos os tipos, já que o víamos em musicais (O Retorno do Capitão Invencível) filmes de ação (007 – O homem da arma dourada), humorístico (Gremlins 2), super-heróis (Capitão América II: Morte Muito Cedo), e em suas recentes aparições em sagas multimilionárias como Guerra nas EstrelasO Senhor dos Anéisareia O passatempot.

Embora seja verdade que ele teve a chance de interpretar alguns protagonistas famosos como Sherlock Holmes (papel imortalizado por seu parceiro Peter Cushing), ele teve que sofrer uma classificação semelhante à do mencionado Lugosi, embora felizmente Christopher tenha aceitado seu destino de uma forma muito mais louvável e com melhores resultados, llegando a interpretar incluso papeles en pequeñas producciones que apenas podían pagar su sueldo, siempre y cuando le gustase el personaje y la historia, tal y como sucedió en El Conde Drácula (1970) y El hombre de mimbre (1973), siendo esta última una de sus interpretaciones favoritas, hasta el punto de que algunas fuentes aseguran que Lee hizo el trabajo prácticamente gratis.

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Christopher Lee en El hombre de mimbre

Lamentablemente el tiempo pasa y los gustos de los espectadores, así como las inquietudes de los directores y productores, suelen variar hasta el punto de alejarse de lo que había sido moda durante los años anteriores. En los años 80 las películas de terror habían cambiado tanto, que muchos de sus actores vieron como su trabajo descendía a gran velocidad, de manera que tenían que buscar todas las alternativas posibles, entre ellas la televisión y los documentales de cine. Afortunadamente algunos de los nuevos directores habían crecido viendo las películas de Lee y eso le aseguró un mínimo de trabajo, como por ejemplo el que le dio uno sus fans, Tim Burton, quien ha contratado a Lee para muchas de sus películas.

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Christopher Lee y Tim Burton

La vida de este actor ha sido muy larga y son muchas las cosas curiosas que se cuentan de él, como su afición al baile y a la música, que seguramente lo llevaron a participar en musicales y a grabar canciones de Heavy Metal para sus propios discos o en colaboraciones con bandas como Rhapsody qualquer Manowar, o su pasión por la lectura, siendo El Señor de los anillos una de sus sagas favoritas, hasta el punto de que el actor llegó a decir que lo había leído en multitud de ocasiones y cada vez que lo hacía descubría algo nuevo.

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Un anillo para gobernarlos a todos

Cuando se rodaron las películas basadas en la obra de Tolkien, se pensó en Christopher Lee para hacer el papel de Gandalf, aunque lamentablemente su avanzada edad le impedía hacer muchas de las escenas de acción de manera que, una vez más, le tocó interpretar al villano: Saruman el Blanco, papel que le dio de nuevo la fama y que volvió su rostro reconocible para una nueva legión de fans.

Sin embargo, se cuenta que no todo fue maravilloso en ese rodaje, pues a Lee (como fan de la obra original, hasta el punto de haber conocido a Tolkien en persona) le molestaron algunos cambios que habían en la película con respecto al libro, siendo uno de ellos la muerte de Saruman, que solo aparece en la versión extendida de la tercera película y no tiene absolutamente nada que ver con su muerte según el libro.

Sin embargo, muy grande no debió ser el enfrentamiento entre actor y director, pues una década más tarde se inició el rodaje de El hobbit y Lee se ofreció a dar su inolvidable voz al dragón Smaug al no poder viajar a Nueva Zelanda para interpretar a Saruman por su delicada salud, algo que ni Peter Jackson, ni los fans de la trilogía anterior estaban dispuestos a aceptar, de manera que, por última vez, Lee interpretó a Saruman el Blanco.

Son más de 200 las películas en las que este actor ha dejado su huella con un papel principal o aportado su granito de arena con uno secundario, de hecho es muy difícil ser amante del cine y no haber visto nunca una película donde aparezca Christopher Lee. Incluso si eres una persona que evita las películas de terror y de cine fantástico, puedo asegurarte que has visto su rostro y escuchado su voz, un lujo que parecía que iba a durar para siempre.

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¡Hasta siempre!
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