Quando se fala em plataformas, as mesmas sempre vêm à tona. Mário, Sonic, Donkey Kong. Nessa ordem. Ninguém duvida. Até alguns anos atrás.
Era 2010 quando foi anunciado o reboot de uma saga que havia perdido qualidade com seus últimos lançamentos no mercado, estrelando certos coelhos que, por mais fofos que fossem, não iam a lugar nenhum.
A reinicialização, é claro, de Rayman, foi anunciada em formato episódico e para download. Não demorou muito para que fosse adiado, colocado em standby e quase cancelado. Mas, para benefício de todos, depois de todos esses problemas, Rayman Origins finalmente chegou ao mercado, de forma tradicional.
![[Análise] Lendas de Rayman](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2013/09/rayman_legends_1.jpg)
O retorno de Rayman repercutiu, ainda que as vendas não tenham sido totalmente satisfatórias. A Ubisoft havia mostrado seu novo motor gráfico, o UbiArt, que para começar fez algo que nenhum jogo costuma fazer: mostrar a realidade nas imagens. Sem falar na jogabilidade, a meio caminho entre o clássico jogo de plataformas de Super Mario Bros, a velocidade de Super Meat Boy e um toque musical de Bit Trip Runner. Não eram mais apenas três competidores: o garoto sem braços havia entrado para bater forte no encanador, no ouriço e no macaco.
E agora, depois de vários atrasos, idas e vindas, temos a sequência deste reboot. À primeira vista, nada mudou. O mesmo motor gráfico, a mesma mecânica. Até os mesmos créditos. Então você começa a ver as primeiras mudanças. Em princípio, o menu mudou. Do clássico mapa-múndi transformamos o jogo num museu, um museu artístico, em que cada cenário, cada missão, é uma pintura.
Junto com Rayman, seus amigos voltaram, tanto Globox quanto os pequeninos. A estes devemos adicionar os guerreiros, que são desbloqueados ao longo da aventura.
Quem também retorna é Murfy, mas desta vez terá muito mais trabalho. Se você jogar sozinho, haverá missões nas quais você se tornará o protagonista principal, enquanto outro personagem se move por conta própria, tornando-se às vezes um corredor completo. Isso muda se você jogar no modo multijogador, que se torna uma missão normal na qual você precisa que Murfy abra caminho para você.
Outra adição interessante são os níveis musicais. Na verdade não são muitos, apenas cinco entre cem níveis que a obra possui. Eles também não são difíceis. Mesmo assim, você está ansioso para terminar cada mundo para poder chegar ao nível e terminá-lo. São todas canções clássicas que um fã de música reconhecerá.
![[Análise] Lendas de Rayman](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2013/09/rayman_legends_2.jpg)
Como eu disse antes, o jogo consiste em cem níveis. E aqui está um fato controverso: apenas sessenta são novas missões. As outras quarenta são missões do Rayman Origins original, que deverá ser desbloqueado por meio de ingressos, com os quais você também poderá adquirir bichinhos colecionáveis, lums ou até alguns pequeninos. É curioso o quanto as missões do jogo anterior são recicladas aqui. De certa forma está tudo bem, já que o design do primeiro foi magistral. Qualquer pessoa nova no jogo irá gostar deles tanto ou mais do que os novos. Mas se você completou Origins do início ao fim, saberá absolutamente tudo, inclusive as áreas secretas, desses mapas.
Em geral, o jogo não apresenta dificuldades especiais na hora de completar as missões. Possivelmente com um pouco de prática você poderá terminar todos eles do início ao fim sem morrer. Não há vidas, os checkpoints abundam e os cenários são relativamente rápidos de terminar. A dificuldade reside em duas bases: os pequenos segredos de cada cenário, as missões de invasão (que substituem o modo contra-relógio de Origins) e o último mundo, em que todas as missões musicais se transformam em verdadeiros pesadelos em formato 8 bits. Um grande golpe para aqueles que afirmam que qualquer jogo passado foi sempre melhor.
![[Análise] Lendas de Rayman](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2013/09/rayman_legends_3.jpg)
Porém, nem tudo que reluz é ouro. Sua maior falha está em sua concepção. O jogo foi criado para WiiU, com funções muito focadas no controle do tablet. Essas funções são relegadas ao joystick direito em outras plataformas, o que torna o uso do Murfy muito complicado. Além deste, o outro erro que pode ser atribuído também é do nosso amigo Murfy: o ritmo do jogo, rápido e dinâmico, fica cortado nas missões em que o controlamos, coisas que não acontecem se você jogar no modo multiplayer.
Mesmo com essas falhas, possivelmente estamos falando de uma das melhores plataformas 2D que surgiram nesta geração. Seu dinamismo, sua arte, sua música... tudo o que faz de Rayman o jogo que ele é faz com que cada moeda que você investe neste jogo valha a pena. Além disso, é um jogo que lhe dará horas e horas de jogo se você for um completista. Seus cem níveis, seu modo de contra-relógio, multijogador e personagens desbloqueáveis farão com que você passe muito tempo grudado no bloco. Mesmo que chegue o tempo de 100%, você terá horas intermináveis de modo de desafio, que é atualizado diariamente para mantê-lo ligado.
![[Análise] Lendas de Rayman](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2013/09/rayman_legends_4.jpg)
Resumindo, quer já tenha experimentado Rayman Origins ou se chegou sem sequer o ter visto, é um jogo altamente recomendado para qualquer fã de plataforma. Não tenha medo de gastar seu dinheiro por ele.

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