[Análise] Sergio Aragonés Massacres Marvel e Destrói DC

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Tempo de leitura: 13 minutos
Qualificação
Sergio Aragonés massacra Marvel e destrói DC
Roteiro
Marco Evanier
Desenho
Sérgio Aragonés
Editorial
Marvel Comics e DC Comics
Gênero
Humor / Super-heróis
Data de publicação
1996

O mundo dos quadrinhos tem padrões e temas muito marcados, que embora não sejam atendidos em 100% dos casos, um grande número de obras continua hoje a mantê-los à tona.

Por exemplo, o tema dos quadrinhos americanos onde um cara forte vestido de cores e com sua inicial ou logotipo no peito se dedica a caçar criminosos usando seus poderes, que sem dúvida estarão ligados ao seu nome que termina em homem ou mulher.

Esses tópicos têm sido objeto de muitas paródias, embora normalmente sem o consentimento dos editores dos personagens, já que não seria muito comum eles emprestarem seus personagens para se ridicularizarem, não é mesmo?

Bom, sim, isso já aconteceu em algumas ocasiões, a história em quadrinhos que vou comentar é uma situação muito especial, bom Tanto Marvel quanto DC deixaram seus personagens nas mãos do artista Sergio Aragonés, disposto a sofrer uma divertida auto-humilhação.

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Sergio Aragonés, nascido na Espanha, mas que passou quase toda a vida no México e nos Estados Unidos, é conhecido por sua participação na revista humorística Louco (onde conseguiu um emprego desenhando piadas nas margens da revista), bem como para seu personagem mais popular, Groo, onde trabalhou com seu roteirista de “longa data” Mark Evanier e com Stan Sakai (conhecido por ser o criador de Usagi Yojimbo).

Aragonés conseguiu (não sei exatamente como) que tanto a Marvel quanto a DC Comics lhe permitiram fazer uma história em quadrinhos conhecida como Massacres de Sergio Aragonés Marvel e Sergio Aragonés destrói DC, onde parodiava os personagens mais famosos de cada companhia, tanto na forma (desenhada no estilo próprio de Aragonés) quanto no fundo (apontando os óbvios clichês e falhas nas histórias de super-heróis).

Este cartunista teve sorte (ou azar) que durante os anos 90 (época em que esta história em quadrinhos foi publicada) Os personagens de ambas as empresas estavam passando por grandes mudanças de personalidade e estilo para tentar renovar seus padrões ultrapassados. Esclareço esse fato, pois é possível que alguém se pergunte por que o Hulk é inteligente e grisalho, por que o Batman anda sem Robin, por que o Aquaman tem um braço só e tem barba ou por que existem clones do Homem-Aranha.

Massacres de Sergio Aragonés Marvel

[Análise] Sergio Aragonés Massacres Marvel e Destrói DC

Sergio Aragonés e seu inseparável amigo e roteirista Mark Evanier chegam aos escritórios da Marvel, onde o primeiro pretende contratá-lo por seu excelente trabalho. Os escritórios estão vazios e na parede há um bilhete que diz que todas as séries estão atrasadas, mas felizmente o Sergio está lá para salvar o dia!

“Outros cartunistas trabalham muito devagar, perdem tempo com bobagens como perspectiva e anatomia!” Aragonés diz para si mesmo enquanto nos leva ao mundo da Marvel, ou à sua visão do mundo Marvel.

As primeiras páginas da história em quadrinhos nos apresentam dois personagens veteranos da empresa, Uatu (o Vigia) e Namor (Sub Mariner), este último tendo um confronto com um novo personagem, o Seagoing Soarer, que tem a habilidade de manipular a água à vontade e cujo objetivo é reunir os principais heróis da Marvel.

Daqui passamos para o Quarteto Fantástico, que agora são 3, pois o Coisa sai do grupo, o que incomoda Mulher Invisível e Tempestade Humana, pois da última vez ele também saiu e claro, na parede tem uma lista para saber a ordem em que cada um de seus integrantes deve sair do grupo. A situação vai se complicar quando Demolidor, Homem de Ferro (que não sabe quem está dentro da armadura, mas o personagem é o Homem de Ferro) e Thor, após não serem aceitos como quarto integrante, também deixarem o Quarteto Fantástico. A piada se repete com a chegada do Dr. Doom e o reaparecimento do Sr. Mas este último não estava morto? Bom, nem ele mesmo sabe, então resolve o problema abandonando o Quarteto Fantástico. Mas nada disso importa, porque o Seagoing Soarer chegou para levar o Quarteto Fantástico, bem, o Três Fantástico como prisioneiros.

Aqui Sergio demonstra um dos tópicos dos grupos de super-heróis: mudanças na formação, mas ao tratar do tema “a primeira família de super-heróis” essas mudanças comuns tornam-se um drama, situação vivenciada nos quadrinhos reais do Quarteto Fantástico.

[Análise] Sergio Aragonés Massacres Marvel e Destrói DC
O torturado Surfista Prateado em busca de ajuda profissional

E daqui partimos para o Homem-Aranha, que lamenta inconsolavelmente por ter uma vida miserável: possuidor de poderes especiais, casado com uma modelo ruiva... tudo é sofrimento para Peter Parker! Que acabou de ver sua tia May morrer com a tenra idade de 137 anos. “Não se preocupe, Peter, voltarei em uma edição especial”, diz aquela que é “sua mãe” há décadas, mas nada pode impedir Parker de jogar seu traje do Homem-Aranha na lata de lixo… para ir procurá-lo segundos depois.

aragonês consegue resumir os tópicos do Homem-Aranha em algumas páginas, o “super-herói preocupado” relembrando acontecimentos que se repetiram (e se repetem) ad nauseam nas aventuras do personagem aranha, que por mais que avance temporalmente, é obrigado a retornar à sua triste história de “Peter Parker, o infeliz” quando as vendas caem.

Depois da paródia do Homem-Aranha conhecemos o outro infeliz super-herói, Surfista Prateado, que apesar de ter poderes e viver aventuras no espaço ainda é um potencial depressor. Felizmente para eles, Seagoing Soarer irá adicioná-los à sua coleção, permitindo que os quadrinhos avancem. Os próximos a fazerem parte da lista dos presos por Soarer deveriam ser os Vingadores (bom, a formação dos anos 90, com alguns personagens que ninguém lembra mais), mas infelizmente eles não podem ficar presos porque se congelaram voluntariamente para pular aquela era de decadência que viveram, então Soarer segue para o deserto em busca do Hulk.

Não encontrando o estúpido gigante verde, Seagoing pergunta a um cara bonitão com rabo de cavalo que está no meio do deserto e que acaba por ser o Hulk!, o que nos dá uma das conversas mais estúpidas e hilariantes dos quadrinhos, e que resume em apenas 2 páginas as mudanças que Hulk sofreu nos anos 90, ao mesmo tempo que lembra o estilo de desenho desnecessariamente exagerado dos anos 90, onde a anatomia é deixada de lado para fazer cabeças menores e músculos maiores.

[Análise] Sergio Aragonés Massacres Marvel e Destrói DC
Seagoing Soarer encontra o Hulk dos anos 90

A próxima parada de Seagoing Soarer é a Academia X-men, onde acabam de ter o fornecimento de energia elétrica cortado no que parece ser um ataque direto por serem "uma minoria", ao que o trabalhador da companhia elétrica lhes responde com uma das mais enormes verdades que existem nos quadrinhos da Marvel: "Uma minoria? Na Marvel quem é minoria são humanos sem poderes, eu poderia ser o único da minha espécie!"

Com todos os super-heróis reunidos em local desconhecido pelo Seagoing Soarer, o inevitável acontece. Alguém se lembra das Guerras Secretas ou de alguma situação semelhante? Caso você não se lembre, o Demolidor nos dá uma explicação: “Regra 178 da Marvelland: Quando dois ou mais heróis convergem, eles devem lutar sem motivo aparente”.

Nesta situação, a figura maligna do Seagoing Soarer parece ter conseguido o que queria, mas quem realmente é o Seagoing Soarer? (Se você não quiser ler o quadrinho, procure pistas no nome, que está claramente indicado).

Sergio Aragonés destrói DC

[Análise] Sergio Aragonés Massacres Marvel e Destrói DC

Desta vez Sergio Aragonés vai aos escritórios da DC apresentar seus desenhos e conseguir trabalho, porém o artista é tremendamente ignorado e volta para casa determinado a fazer histórias de super-heróis da DC, pois certamente não lhe deram trabalho pelo fato de ele não os ter desenhado antes.

As aventuras deste universo DC ao estilo aragonês começam com algumas páginas onde Martian Manhunter e outros personagens da DC são avisados ​​​​por Hawkman sobre um enorme perigo que ameaça seu universo. Daqui saltamos para a origem do Superman, colocando-nos nos últimos momentos de Krypton, onde Jor El (pai do Superman) tenta fugir do planeta em seu pequeno foguete em miniatura. Vendo que não é possível, ele decide mandar o filho para o Sol (à noite, para que ele não queime), mas após argumentar com a esposa, finalmente o mandam para a Terra. Daqui saltamos para os escritórios do Daily Planet, onde um cara chamado Clark Kent e "nada como Superman" tenta flertar com sua parceira Lois Lane, que o ignora há 50 anos. De repente chega a notícia, uma criança vai ser atropelada na rua principal (a notícia chega cada vez mais cedo, né?), situação que faz com que Clark Kent se vista como Superman e salve o dia sem nenhum esforço, para finalmente conhecer Hawkman que o avisa que todo o universo DC está condenado.

Siguiente página, el origen de Batman y sus métodos “totalmente lógicos” de buscar información asustando y golpeando a vagabundos hasta que recibe un chivatazo de la posible localización del Joker, con el cual comparte un intenso combate… bueno no, el Joker le convence de que es mejor que no le haga nada, porque sino DC Comics ganará menos dinero. El combate queda interrumpido de nuevo por Hawkman, el cual avisa a Batman de un peligro desconocido.

[Análise] Sergio Aragonés Massacres Marvel e Destrói DC
Batman contra el Joker al estilo Sergio Aragonés
[Análise] Sergio Aragonés Massacres Marvel e Destrói DC
El origen de Superman

Siguiente página, Wonder Woman y el fetichismo que provoca en los varones, que quieren ser golpeados por las piernas de la amazona (que cambian de tamaño según convenga al dibujante) lo cual hace que vuelva a Isla Paraiso, donde se encuentra con el problema de que los hombres quieren entrar a ese territorio aunque esté prohibido para ellos, cosa que terminan logrando gracias al Tribunal Supremo justo en el momento que Hawkman llega para avisar sobre el enemigo que los acecha.

Tras eso nos trasladamos al futuro, donde la Legión de Superhéroes está haciendo un casting para reclutar nuevos miembros, y que resultan ser bastante decepcionantes (el Chico Nixon, Chico Dèjá Vu, Chico Donut, Chica Rechazo, Chico Dèjá Vu, Chico One Hit Wonder, Chico Dèjá Vu, Chico Palillo y ¿he mencionado ya al Chico Dèjá Vu?

Con ese casting, Sergio parodia los nombres y poderes de algunos miembros de la Legión, así como sus cambios en la plantilla y su enorme número de miembros, broma que se redondeará cuando el villano de turno aparezca y pregunte por el líder del equipo… que resultan ser todos, claro.

Y llegó el turno de Hawkman, que les avisa que el peor enemigo del Universo DC está por llegar, pero ¿quién es el peor enemigo de DC Comics?, se pregunta Sergio Aragonés, que decide rebuscar entre los cómics clásicos de la compañía para dar con el villano más repugnante de toda la historia de DC, haciendo un guiño a los seguidores más veteranos de la compañía.

Vale a pena comprar este quadrinho?

Mi valoración de este cómic es algo contradictoria, por lo que explicaré a continuación.

Sergio Aragonés consigue hacer broma de todos los tópicos de superhéroes, algunos de ellos muy manidos y típicos y otros de una genialidad muy grande, sin embargo, en términos generales hay que reconocer que muchas de las bromas pierden sentido para el público general de cómics, que sólo conoce los personajes de verlos en películas o series de televisión y desconoce los múltiples entresijos y cambios que han tenido.

Para empezar, el hecho de que esté ambientado en los 90 hace que algunas bromas sobre personajes que fueron cambiados o endurecidos ya no tengan mucho sentido porque en la actualidad han vuelto a ser lo que eran anteriormente y por lo tanto ya no son las versiones que parodia Sergio. Esto puede hacer que algunos chistes pierdan el sentido que tenían en los 90.

Quizás a modo de guía y como solución parcial al problema sobre el desconocimiento, las páginas centrales de este cómic doble están llenas de explicaciones e historia del Universo Marvel y DC, al menos en la edición española.

[Análise] Sergio Aragonés Massacres Marvel e Destrói DC

En resumen, este cómic tiene un humor y un estilo visual muy parecido a los trabajos previos de Aragonés, pero al mismo tiempo requiere tener conocimientos mínimos sobre personajes, escritores, dibujantes o hechos concretos de los años 90 para entender los chistes, pues a más conoces el universo de Marvel o DC más chistes encuentras en cada viñeta o comentario. Esta situación coloca al cómic en tierra de nadie pues seguramente los fans acérrimos de los personajes no se sientan atraídos por el estilo humorístico de Aragonés y los fans de las historietas humorísticas no tendrán los conocimientos necesarios para entender todos los chistes.

Sin embargo, quiero aclarar que sabiendo lo básico de los superhéroes más comunes también es un cómic divertido, aunque muchas de las genialidades cómicas se pierden y perjudican al resultado final en mayor o menor medida.

Para finalizar el artículo me gustaría comentar que este cómic recibió el premio Eisner al mejor cómic de humor en 1997 y forma parte de una trilogía de parodias que finaliza con Sergio Aragonés Stomps Star Wars.

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