
Dentro da tradição cômica franco-belga, existem algumas séries inspiradas no passado. O mais famoso de todos é, sem dúvida, o de Astérix (Goscinny e Uderzo, 1959), que leva o nome do intrépido gaulês que, junto com seu amigo Obelix e o resto de sua aldeia de "gauleses irredutíveis, ainda e como sempre, resiste ao invasor romano". Não está muito atrás Iznogud, aquele grão-vizir malvado que pretende ser “califa em vez de califa”, a quem já dediquei um artigo na temporada passada.
Hoje falarei do protagonista de mais uma série deste estilo que, embora não se possa dizer que seja pouco conhecido no seu mercado de origem (embora, claro, seja menos conhecido que aqueles dois colossos), andou na ponta dos pés pelo nosso país. É hora de apresentar você Papiro, o aventureiro egípcio Lucien de Gieter.
PORTADOR DA ESPADA MÁGICA E SALVADOR DA PRINCESA
Papyrus é um jovem do antigo Egito. cujas aventuras se passam por volta do século 13 aC, durante o período conhecido como Novo Reino Egípcio. Ele é caracterizado por sua tez escura, seus cabelos negros em forma de juba de meio comprimento, as pulseiras douradas, peitoral e bandana em forma de cobra (o uraeus, símbolo protetor da realeza) que ele sempre carrega consigo e que, junto com sua saia, completavam suas roupas, e sua constituição esbelta. Mas em sua primeira aventura ele se diferencia nesta última característica, pois aparece com uma estatura mais baixa e uma aparência mais infantil em geral. Seus grandes olhos amendoados pintados à maneira egípcia também contrastam com os dois pequenos pontos ovais que muito em breve (definitivamente, desde sua terceira aventura) acabariam por caracterizá-lo. Quanto ao nome, nem é preciso dizer que alude tanto à planta tão comum naquele país como ao papel que os egípcios faziam com ela.
![[Reunião…] Papiro](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2017/10/Papyrus-primer-capitulo.jpg)
Aquele papiro do capítulo A múmia enterrada é apresentado como um humilde pescador que dormia tranquilamente em seu barco. De repente, um crocodilo irrompe nas águas do Nilo e, com os dentes, corta a corda que amarra o barco. Em seguida, ele se transforma no deusa dos cabelos brilhantes, filha de Sebek, o deus crocodilo, que, apontando misteriosamente para o horizonte, parece ter-lhe confiado uma missão. O pobre Papyrus, sem saber de tudo o que aconteceu, acorda abruptamente quando a corrente do Nilo acelera e, pouco depois, é preso por uma tribo de homens-porcos (uma imprecisão que seria explicada em A pirâmide negra) que o trancam em uma masmorra sem saída. Lá ele conheceu Theti-Cheri (jogo de palavras com o nome da rainha egípcia Thetisheri e a palavra francesa Chéri -querida-), filha do faraó Merneptah, que havia sido mumificado em vida e jogado no Nilo por conspiradores do palácio. Depois de alcançar a liberdade, Papyrus se vê perdido em uma caverna sinistra, onde é submetido a uma série de testes. Foi naquele lugar onde ele pegou sua espada mágica, cobrir por seu medo personificado como uma imagem gigante e monstruoso de si mesmo, que lhe deu depois de ser derrotado. Finalmente, ele consegue se reunir com a princesa e a deusa. Esta lhe explica o motivo pelo qual o fez empreender aquela aventura: trazer Theti-Chéri de volta a Tebas para que um dia ele possa reinar no Egito, algo que ele alcançaria depois de passar por outra série de perigos.
![[Reunião…] Papiro](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2017/10/Papyrus-consigue-espada.jpg)
Embora aquela cimitarra egípcia não seja o elemento central de todas e cada uma de suas aventuras, ela lhe será de grande utilidade em mais de uma ocasião. Esta arma é capaz de aumento de tamanhoBem, como o seu próprio medo lhe disse antes de morrer, representa “a medida do seu valor”. É extremamente resistente e emite uma espécie de choque elétrico contra inimigos que tentam brandi-lo, abate pequenas criaturas que com ele entram em contato e cria ilusões de ótica em casos de perigo máximo, entre outras maravilhas sobrenaturais.
![[Reunião…] Papiro](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2017/10/Papyrus-espada-1024x522.jpg)
AVENTURAS DO FARAÃO
Como resultado dessa façanha, Papyrus consegue obter um alto status na corte do faraó, embora de vez em quando alguém ainda o chame desdenhosamente de fellah (camponês egípcio). Ele está vestido com os já mencionados atributos de nobreza e realeza e ainda mora nos bairros mais privilegiados do palácio, próximos aos da própria herdeira. Paradoxalmente, essa posição elevada, longe de facilitar a vida, será fonte de aventuras sem fim, seja na forma de intrigas orquestradas pelos inimigos do faraó, de acontecimentos ocorridos durante missões por ele confiadas ou de outros perigos, em muitos dos quais os próprios deuses egípcios estão envolvidos. Portanto, Sua principal parceira de aventura é a própria Theti-Chéri. (em espanhol será traduzido primeiro como Tethys-Querida e, na coleção regular com o jogo de palavras mais forçado, Sheror-Amor), que além de princesa, é sacerdotisa e dançarina sagrada. A relação que esses dois personagens mantêm durante a maior parte da série é a de um amizade atual (embora em alguns casos Theti/Sheror mostre o traço autoritário típico da realeza), mas Nas edições mais recentes assume um tom romântico.

Son varios los personajes secundarios que aparecen de forma ocasional. De entre todos ellos, cabe destacar a dos. El primero fue Imhutep, el mejor amigo de Papyrus, quien es presentado como un joven que acabó en la mendicidad al perder su pierna derecha y que, tras ayudar a Papyrus en cierto trance relacionado con el faraón, fue ascendiendo hasta llegar a ser arquitecto real. Más adelante, ya en los capítulos inéditos en España (en concreto, en El señor de los cocodrilos), hace acto de aparición Pouin, un individuo de muy baja estatura, pero de sangre real, que va a todas partes con su asno Kamelot, cuya relación de amor-odio entre hombre y animal aporta un elemento cómico más a la serie. Desde que fue derrotada la tribu libia que le obligaba a trabajar para ellos, acompaña a Papyrus y a Theti-Chéri a buena parte de sus aventuras.
![[Reunião…] Papiro](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2017/10/Papyrus-e-Imhutep.jpg)
En cualquier caso, y le acompañe quien le acompañe, el protagonista muestra en todo momento una lealtad intachable hacia ellos, junto con tantas otras cualidades ya vistas en los cómics juveniles de esta clase, como valor, ingenio, etc., aunque a menudo exclamando el “¡por Orus!” que tanto le caracteriza.
![[Reunião…] Papiro](https://combogamer.com/wp-content/uploads/2017/10/Papyrus-y-Pouin.jpg)
CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES
Papyrus era un joven pescador elegido por la hija de Sebek para salvar a la sucesora al trono de Egipto. A ello le debe su espada mágica, su estatus privilegiado de fiel servidor del faraón y, sobre todo, su gran amistad con la princesa Theti-Chéri, que terminaría derivando en algo más. A menudo se las tiene que ver tanto con enemigos terrenales como con furibundos dioses y otras criaturas mitológicas.

Papiro es una serie que combina magistralmente la fantasía con la verosimilitud histórica que una considerable documentación proporciona. Además, está lleno de notas a pie de viñeta que aportan datos adicionales sobre la mitología y las costumbres de los antiguos egipcios, lo que lo hace bastante divulgativo. Por desgracia, y como ya comenté, su publicación en España fue bastante fugaz. Sólo vieron la luz los diez primeros tomos del total de 33 que hay hasta la fecha (publicados por Dupuis en el original francés). Y de esos diez, los dos primeros aparecieron de forma suelta en coleccionables. El resto fueron publicados por Ediciones Junior entre 1988 y 1991, esta vez en el mismo orden de la colección original (no como el lío que hicieron con Spirou).



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