X Pôster de Ti West

[HorrorScience] X – Quando Slasher e pornografia se encontram na América profunda

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Tempo de leitura: 7 minutos

"X", último trabalho do diretorOeste, é um slasher que ousa ir além dos tropos habituais para nos oferecer uma experiência cinematográfica que é ao mesmo tempo uma homenagem e uma desconstrução do gênero. Tornou-se um fenômeno de culto instantâneo, e aqui no ComboGamer irei revisar todas as parcelas da saga.

A premissa: além do simples Slasher

Ambientado em 1979, “X” nos apresenta um grupo de jovens cineastas que se aventuram na zona rural da América do Texas com a intenção de filmar um filme pornográfico. O que começa como um projeto ousado e provocativo logo se transforma em um pesadelo sangrento quando os idosos proprietários da fazenda onde estão hospedados descobrem suas intenções.

Essa premissa, embora aparentemente simples, serve como catalisador para uma narrativa que explora temas muito mais profundos do que o típico slasher. West utiliza o contexto histórico da década de 1970, uma época de mudança social e libertação sexual, para criar um contraste brutal com a mentalidade conservadora e religiosa do Extremo Sul americano.

Sexo, violência e o olhar cinematográfico

Uma das características mais notáveis ​​de “X” é como West brinca com a dualidade entre o cinema pornográfico e o cinema de terror. Ambos os géneros, muitas vezes considerados de “baixo orçamento” ou de “exploração”, partilham mais semelhanças do que poderíamos pensar à primeira vista. West explora essa conexão com maestria, usando a câmera para questionar nosso próprio olhar como espectadores.

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O filme nos faz pensar: o que realmente procuramos quando assistimos a um filme de terror? É tão diferente do que o espectador de pornografia procura? Esta reflexão metacinemática adiciona uma camada de profundidade que eleva “X” acima de muitos outros filmes do gênero.

Personagens que desafiam estereótipos

Outro aspecto notável de “X” é o tratamento dispensado aos personagens. Longe de serem simples arquétipos destinados ao abate, West apresenta-nos um elenco complexo e bem desenvolvido.Mia Gótica, em particular, oferece uma performance dupla fascinante que serve como peça central da narrativa.

Os antagonistas, por sua vez, não são simples monstros unidimensionais. West dá-lhes uma humanidade perturbadora que nos faz questionar quem realmente são os “vilões” desta história. Serão os jovens que procuram explorar a sua sexualidade por dinheiro, ou os idosos cuja repressão sexual se tornou uma força violenta e destrutiva?

Homenagens e Subversões

Os cinéfilos encontrarão em “X” uma mina de ouro de referências e homenagens. Desde acenos óbvios a clássicos como “O Massacre da Serra Elétrica” até referências sutis a “Psicose” de Hitchcock, West demonstra profundo conhecimento e respeito pela história do cinema de terror.

Porém, o que torna “X” verdadeiramente especial é como ele subverte essas referências. West pega tropos de terror familiares e os distorce, criando algo que parece familiar e completamente novo.

Estética: uma viagem ao passado

Visualmente, “X” é um banquete para os olhos. A cinematografia de Eliot Rockett captura perfeitamente a estética dos anos 70, desde a granulação do filme até a paleta de cores. Essa atenção aos detalhes não serve apenas à imersão histórica, mas também desempenha um papel crucial na construção da atmosfera opressiva e claustrofóbica do filme.

Conclusão: um novo clássico do terror

“X” de Ti West não é apenas mais um filme de terror. É um trabalho que desafia, provoca e, acima de tudo, diverte. Ao combinar elementos clássicos do slasher com uma narrativa complexa e temas provocativos, West criou algo que transcende as expectativas do gênero.

Para os amantes do terror que procuram mais do que apenas sustos, “X” oferece uma experiência cinematográfica rica e multifacetada que certamente despertará discussões e análises durante anos. É, sem dúvida, um daqueles raros filmes que consegue ser ao mesmo tempo uma homenagem ao passado e um passo ousado em direção ao futuro do género.

Algumas curiosidades sobre «X»

  • Um dia depois de X (2022) estrear em South by Southwest, o escritor e diretor Ti West revelou que durante uma quarentena obrigatória de duas semanas do COVID-19 em seu hotel na Nova Zelândia, antes que a produção deste filme pudesse começar, ele escreveu uma prequela, Pearl (2022). A24 viu o roteiro e deu sinal verde para o filme antes mesmo da produção de “X” terminar. Ele perguntou à estrela Mia Goth se ela queria ficar na Nova Zelândia e filmar “Pearl”, e ela concordou imediatamente. A prequela estreou no final de 2022.
  • O título dos filmes refere-se à classificação X utilizada pela MPAA de 1968 a 1990, que indicava que um filme só era adequado para públicos com 16 anos ou mais. A ideia por trás da classificação era que, ao contrário dos outros certificados, X não seria uma marca e permitiria aos cineastas lançar seus filmes nos cinemas sem a necessidade de submetê-los à MPAA para obter um certificado de idade. Filmes notáveis ​​​​que foram originalmente lançados com classificação X na década de 1970, a indústria pornográfica acabou explorando a falta de marca registrada para a classificação X, lançando filmes pornográficos nos cinemas com essa mesma classificação. Com o tempo, X tornou-se mais associado à pornografia e cada vez mais cinemas começaram a se recusar a exibir filmes com uma expressão diferente.
  • Em entrevista, Brittany Snow falou sobre filmar as cenas de nudez: "Acho que havia muita confiança em nossos personagens, e parte da nudez veio dessa confiança que nossos personagens exalavam. Quase parecia necessário, porque não apenas estávamos filmando um filme pornô, mas nossos personagens teriam ficado muito confortáveis ​​com isso. Snow disse que o filme "foi um exercício para me sentir confiante em meu corpo. "Eu estava muito orgulhoso de mim mesmo."
  • O nome do posto de gasolina e loja de conveniência no início do filme é uma referência direta ao filme de Ti West, The Guest (2011), ambientado no Yankee Pedlar Inn.
  • Quando a lua é vista nascendo sobre o celeiro, manchas escuras (localizadas predominantemente na metade norte da lua) são vistas na parte inferior. Isso ocorre porque o filme foi filmado no hemisfério sul (na Nova Zelândia), e não no cenário rural do Texas.
  • Supostamente acontece inteiramente no Texas, mas na verdade foi filmado inteiramente na Nova Zelândia.
  • Embora filmados no formato widescreen moderno, os créditos finais são inicialmente mostrados na antiga proporção de 4x3. Isso se reflete na cena de abertura, mas nessa situação, aos poucos, revela-se que é simplesmente a imagem revelada do celeiro.
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